
da policia dinamarquesa ...
uma boa imagem desejável, mais uma vez um exemplo duma sociedade madura e que se pensa e que faz das rotinas momentos simbólicos e sobretudo "usáveis" da máquina do estado.
o acessivel ao nosso alcance!
cá pelo nosso país, vai uma distância - profissão mal paga, com elevado desgaste e um fosso que dista a população da segurança e vice versa.
e a propósito de cogitações utópicas também tenho as minhas, sempre achei que o convivio com mnisfestações artisticas na rua seria uma óptima maneira de dignificar e fazer viver o espaço público com aquilo que de melhor desperta em nós - escultura, música, skates, desporto, por ai ... óferece igual dose de segurança sem recurso às autoridades propriamente ditas, mas com apelo ao colectivo e ao que é nosso .... de todos entenda-se!
8 comentários:
É interessante ver os temas em discussão no vosso blog, ao mesmo tempo que por aqui ( em Setúbal), e mais uma vez, sofremos as consequências de tudo o que tem andado mal nas últimas décadas. Se bem que convém dizer, e refiro-me aos últimos acontecimentos na Bela Vista, o pior veneno de todos é mesmo a comunicação social e a sua missão de inventar notícias, empolar acontecimentos e prejudicar o trabalho de todos os envolvidos. É lamentável o que se tem passado nos últimos dias. Se não tivesse visto não acreditava. E com eleições à porta, isto dá tudo tanto jeito...
O uso de segurança policial devia ser encarada como a expressão de uma falha colectiva. Tal como dizes, Artur, essa seguraça começa a ser construída na rua.
A RUA é o lugar de todos. E o todo é sempre um lugar de diferenças.
A Bela Vista é a negação dessa visão, que têm no outro extremo os condomínios fechados. São ambos lugares de getização de identidades.
Muitos consideram que a casa (ou o bairro) é o local onde é criada a segurança. É falso. É de facto um lugar onde se produz a sensação de que se está em segurança.
Essa sensação é ausência de estímulos, surge do isolamento. Conviver com o irritante é próprio da cultura democrática.
É daí que acredito profundamente que a segurança vem dos espaços onde diferentes coabitam, onde diferentes aprendem a conversar, onde diferentes perdem o medo dos "perigos" representados pelo diferente.
Quando o estranho se entranha.
É aí que nascem as sociedades socialmente ricas, é a partir daí que nascem sociedades inclusivas, é a partir da Rua que uma sociedade pode crescer economicamente de forma mais justa, duradora e sustentada.
Realmente espaços como o da bela Vista não deveriam existir. Mas põe-se outra questão: se durante 5 noites jovens de um bairro de classe média incendiassem caixotes do lixo, isso seria notícia? Eu vivo num bairro de classe média/alta e se quiser dormir cedo à sexta ou ao sábado não consigo com o desassossego da juventude na rua. Ninguém chama a polícia, muito menos a de choque.
Temos medo daquelas pessoas, daqueles bairros. Temos medo porque sabemos que vivem na miséria e dos miseráveis espera-se tudo. O que se passa na Bela Vista seria um incidente sem importância não fossem os holofotes e os políticos todos em campanha. E, de repente, é como se tudo o que tem sido feito naquele bairro nos últimos anos não existisse. As instituições, os técnicos, os projectos. Consideram-nos falhados porque meia dúzia de míudos fizeram barulho e queimaram coisas.
Não há paciência nem luz ao fundo do tunel!
A única coisa que retive desse acontecimento é que morreu, pelo menos, uma pessoa.
Não sei as razões, não sei o que aconteceu, não sei qual era o foco das notícias, não conheço esse caso.
Sei que a existência de bairros como os da Bela Vista é muito triste, não pela sua realidade que não a conheço. Mas pela imagem que que me é dada a conhecer e o arrastamento que essa imagem provoca na imagem negativa dos seus habitantes.
O medo que leva as televisões a esses sítios, é o mesmo medo que os criou, é o mesmo medo que cria condomínios fechados, é o mesmo medo que te irrita ao ver as televisões aprofundar preconceitos, é o mesmo medo que me leva a esperar para não tirar conclusões percipitadas, é o mesmo medo que leva tanta gente a reagir de inúmeras formas.
Tem tudo a ver com estados de alma. Tem tudo a ver com reações violentas induzidos pela exposição a certos estímulos.
As alternativas são ter paciência e aprender a conviver com eles, ter paciência, conviver com eles e tentar alterar certas situações, não ter paciência e reagir violentamente, não ter paciência e agredir outros de forma desproporcionada, não ter paciência e fecharmo-nos.
São todos comportamentos normais.
Não há túnel, nem há luz. Há isto...
Em relação ao caso concreto da Bela Vista, e só para te esclarecer, o que aconteceu foram algumas reacções mais exacerbadas após o funeral de um rapaz residente no Bairro, morto na Ponte Vasco da Gama pela GNR numa perseguição após um carjacking e vários roubos que se lhe seguiram.
Fazes bem em não ver notícias, fazes bem em esperar para perceber. No caso de pessoas como eu que pensam a Bela Vista a um ritmo diário, não se trata de esperar para ver. Está tudo visto. Fazemos o que podemos com os recursos que temos, num território onde a única cura é o fim do gueto. Mantendo-se o gueto, aplicam-se pensos rápidos e aposta-se em agarrar os miúdos desde pequeninos, tentando evitar o que será inevitável para a maioria deles. Alguém vai ao Bairro ver tudo isto? Alguém põe estes miúdos a falar, a explicarem que mesmo estudando, só lhes dão emprego se mentirem na morada? Claro que não. Mas agora, incendeiam-se uns caixotes do lixo e todo o mundo tem uma opinião sobre a Bela Vista. Queres que tenha paciência? Não tenho, nenhuma. Dou uns gritos e uns murros na mesa e continuo a trabalhar.
Eu não quero que tenhas paciência, quero que não te feches.
Eu não sei nada sobre o bairro e expressei-o aqui. Como eu há mais gente. Não podes dizer que toda a gente tem opinião sobre a Bela Vista.
Mas existiré concerteza gente que tem imensas opiniões, mas já tinha predisposição para a ter. É isso que eu quis dizer. É aí que reside o medo.
Também não acredito nos remendos que estás a dizer que fazes. Deve ser fundamental para alguns, e determinante para manter uma certa paz social. Mas não resolve, tal como está a ser feito, o problema crónico das assimetrias endémicas existentes nesses lugares.
Não sei qual a solução. Sei que as coisas são como são, e qualquer alteração tem de partir dessa realidade.
E acredito que as sociedades mais evoluidas no futuro serão aquelas que conseguirem reduzir as tensões interiores sentida pelos seus cidadãos na presença da diferença.
Sei que a diversidade será cada vez mais determinante no desenvolvimento social, político e económico.
Também sei que estarei do lado de todo aqueles que lutarem por essa sociedade.
Eu não me fecho nem deixo de ter esperança. Pelas pessoas com quem trabalho. Pelos "milagres" a que já assisti. Mas tudo poderia ser mais fácil, mais rápido e menos doloroso. Não houvesses todos estes ruídos, que o são porque daqui a uns dias já ninguém se lembra dos miúdos que crescem nas belas vistas da vida. Só talvez os movimentos de extrema direita, a quem tudo isto dá imenso jeito...
Ainda sobre a Bela Vista, leitura recomendada: http://pachadrom.blogspot.com/2009/05/pedras-contra-tanques.html
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