A Catizzz lançou o mote, baseado em Ghandi: só podemos defender a mudança, quando nós próprios somos um exemplo daquilo que pode ser a mudança.
Esta é uma óptima base para este debate. Quando assim é a evolução faz-se orientada pela autenticidade.
Devemos ser autênticos, o que no nosso mundo já é algo revolucionário.
É aqui que me quero estabelecer para já. Começo por afirmar o seguinte: Vivemos em democracia!
Mas estranhamente, sinto que - para a cumprir na sua dimensão social e deixar que da sua vertente política evolua para as relações sociais, quotidianas - é necessário cumprir de novo uma forma de estar própria dos tempos da dituadura: a dissidência.
Antes de sabermos o que queremos para a nossa vida, quotidiano, país, ..., temos de ser autenticamente dissidentes.
Em praticamente todos os grupos, colectividades, instituições do nosso país as teias sociais montadas estão tão impregnadas de fidelidades, são tão fechadas, tão castradoras, tão hiper-sensíveis às perturbações, com uma visão tão estreita e alheia ao interesse comum, que, para muitos, estar presente nesses meios significa colocar uma máscara. Significa afastar-se de ser e defender o que se é e no que se acredita.
Não se trata de acreditar que seja possível acabar em absoluto com isso, trata-se de reduzir a dimensão da formalidade ao necessário e abrir todo o resto do espaço de trabalho das instituições e relações para a criatividade, conversação e escolha.
Deixar cada um expresar-se um pouco mais de acordo com o que é: deixar que cada um possa ser mais autêntico.
Cada um de nós tem de ser dissidente no seu espaço de acção. Isoladamente dissidente. Corajosamente dissidente.
Dissidente em direcção a si próprio.
Finalmente é Sexta-feira
Há 14 anos
3 comentários:
O que eu tenho andado a perder!!
outras lides me retiveram ... entre elas o descanso, o necessiatar de mudar de registo. isto para que não se fique a pensar que eu e o ricardo não apreciamos a preguiça e a chamada 2boa vida"
mas de facto há uma ideia que discutimos que se prende simplesmente com o priveligiar e acarinhar o acto de pensar e fazer pensando criando. longe de um sistema moral ou ideal. mas valorizar o acto de pensar e o caleidoscópio que abre de potencialidades.
também o superfulo é necessário, e o ocioso e tuda, até mesmo nós!! :)
vale a pensa dizer que poder pensar e fazer com outros é exigente, por que por vezes parace tão distante das nossas vidas quotidianas e tão automáticas ( que perdemos a critica) sem o ser.
trata-se de abrir espaço para perceber o que queremos e podemos ou não exigir e fazer nas nossas vidas.
e isso dá trabalho,´pode ser criativo, é exigente mas é humano.
é por aqui que às vezes os bisturis se perdem e às vezes se encontram
A propósito de mudanças, e da dificuldade de implementá-las nas nossas rotinas, lembrei-me de uma conversa que tive há uns dias com o meu marido. Estamos para mudar de casa. A partir do momento em que tomámos essa decisão, tudo ficou em pause. "Devia voltar a fazer ioga. Quando formos para a casa nova inscrevo-me!" ou "Acho que as miúdas andam a ver muita televisão. Quando formos para a casa nova temos que mudar rotinas para evitar isso". E por aí fora...
Ora, desde a decisão até ao dia de hoje passou meio ano e ainda faltam uns dois meses para a coisa acontecer. Estamos esgotados, sem energia e continuamos em pause... Quando formos para a casa nova...
Aqui vai uma bela canção que retrata na perfeição os nossos movimentos perpétuos... "Vão sem mim que eu vou lá ter"
http://www.youtube.com/watch?v=us9dIcLjfKM
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