segunda-feira, 11 de maio de 2009

a propósito ...





da policia dinamarquesa ...

uma boa imagem desejável, mais uma vez um exemplo duma sociedade madura e que se pensa e que faz das rotinas momentos simbólicos e sobretudo "usáveis" da máquina do estado.

o acessivel ao nosso alcance!

cá pelo nosso país, vai uma distância - profissão mal paga, com elevado desgaste e um fosso que dista a população da segurança e vice versa.

e a propósito de cogitações utópicas também tenho as minhas, sempre achei que o convivio com mnisfestações artisticas na rua seria uma óptima maneira de dignificar e fazer viver o espaço público com aquilo que de melhor desperta em nós - escultura, música, skates, desporto, por ai ... óferece igual dose de segurança sem recurso às autoridades propriamente ditas, mas com apelo ao colectivo e ao que é nosso .... de todos entenda-se!

8 comentários:

catizzz disse...

É interessante ver os temas em discussão no vosso blog, ao mesmo tempo que por aqui ( em Setúbal), e mais uma vez, sofremos as consequências de tudo o que tem andado mal nas últimas décadas. Se bem que convém dizer, e refiro-me aos últimos acontecimentos na Bela Vista, o pior veneno de todos é mesmo a comunicação social e a sua missão de inventar notícias, empolar acontecimentos e prejudicar o trabalho de todos os envolvidos. É lamentável o que se tem passado nos últimos dias. Se não tivesse visto não acreditava. E com eleições à porta, isto dá tudo tanto jeito...

Ricardo Castro disse...

O uso de segurança policial devia ser encarada como a expressão de uma falha colectiva. Tal como dizes, Artur, essa seguraça começa a ser construída na rua.

A RUA é o lugar de todos. E o todo é sempre um lugar de diferenças.

A Bela Vista é a negação dessa visão, que têm no outro extremo os condomínios fechados. São ambos lugares de getização de identidades.

Muitos consideram que a casa (ou o bairro) é o local onde é criada a segurança. É falso. É de facto um lugar onde se produz a sensação de que se está em segurança.

Essa sensação é ausência de estímulos, surge do isolamento. Conviver com o irritante é próprio da cultura democrática.

É daí que acredito profundamente que a segurança vem dos espaços onde diferentes coabitam, onde diferentes aprendem a conversar, onde diferentes perdem o medo dos "perigos" representados pelo diferente.

Quando o estranho se entranha.

É aí que nascem as sociedades socialmente ricas, é a partir daí que nascem sociedades inclusivas, é a partir da Rua que uma sociedade pode crescer economicamente de forma mais justa, duradora e sustentada.

catizzz disse...

Realmente espaços como o da bela Vista não deveriam existir. Mas põe-se outra questão: se durante 5 noites jovens de um bairro de classe média incendiassem caixotes do lixo, isso seria notícia? Eu vivo num bairro de classe média/alta e se quiser dormir cedo à sexta ou ao sábado não consigo com o desassossego da juventude na rua. Ninguém chama a polícia, muito menos a de choque.
Temos medo daquelas pessoas, daqueles bairros. Temos medo porque sabemos que vivem na miséria e dos miseráveis espera-se tudo. O que se passa na Bela Vista seria um incidente sem importância não fossem os holofotes e os políticos todos em campanha. E, de repente, é como se tudo o que tem sido feito naquele bairro nos últimos anos não existisse. As instituições, os técnicos, os projectos. Consideram-nos falhados porque meia dúzia de míudos fizeram barulho e queimaram coisas.
Não há paciência nem luz ao fundo do tunel!

Ricardo Castro disse...

A única coisa que retive desse acontecimento é que morreu, pelo menos, uma pessoa.

Não sei as razões, não sei o que aconteceu, não sei qual era o foco das notícias, não conheço esse caso.

Sei que a existência de bairros como os da Bela Vista é muito triste, não pela sua realidade que não a conheço. Mas pela imagem que que me é dada a conhecer e o arrastamento que essa imagem provoca na imagem negativa dos seus habitantes.

O medo que leva as televisões a esses sítios, é o mesmo medo que os criou, é o mesmo medo que cria condomínios fechados, é o mesmo medo que te irrita ao ver as televisões aprofundar preconceitos, é o mesmo medo que me leva a esperar para não tirar conclusões percipitadas, é o mesmo medo que leva tanta gente a reagir de inúmeras formas.

Tem tudo a ver com estados de alma. Tem tudo a ver com reações violentas induzidos pela exposição a certos estímulos.

As alternativas são ter paciência e aprender a conviver com eles, ter paciência, conviver com eles e tentar alterar certas situações, não ter paciência e reagir violentamente, não ter paciência e agredir outros de forma desproporcionada, não ter paciência e fecharmo-nos.

São todos comportamentos normais.

Não há túnel, nem há luz. Há isto...

catizzz disse...

Em relação ao caso concreto da Bela Vista, e só para te esclarecer, o que aconteceu foram algumas reacções mais exacerbadas após o funeral de um rapaz residente no Bairro, morto na Ponte Vasco da Gama pela GNR numa perseguição após um carjacking e vários roubos que se lhe seguiram.
Fazes bem em não ver notícias, fazes bem em esperar para perceber. No caso de pessoas como eu que pensam a Bela Vista a um ritmo diário, não se trata de esperar para ver. Está tudo visto. Fazemos o que podemos com os recursos que temos, num território onde a única cura é o fim do gueto. Mantendo-se o gueto, aplicam-se pensos rápidos e aposta-se em agarrar os miúdos desde pequeninos, tentando evitar o que será inevitável para a maioria deles. Alguém vai ao Bairro ver tudo isto? Alguém põe estes miúdos a falar, a explicarem que mesmo estudando, só lhes dão emprego se mentirem na morada? Claro que não. Mas agora, incendeiam-se uns caixotes do lixo e todo o mundo tem uma opinião sobre a Bela Vista. Queres que tenha paciência? Não tenho, nenhuma. Dou uns gritos e uns murros na mesa e continuo a trabalhar.

Ricardo Castro disse...

Eu não quero que tenhas paciência, quero que não te feches.

Eu não sei nada sobre o bairro e expressei-o aqui. Como eu há mais gente. Não podes dizer que toda a gente tem opinião sobre a Bela Vista.

Mas existiré concerteza gente que tem imensas opiniões, mas já tinha predisposição para a ter. É isso que eu quis dizer. É aí que reside o medo.

Também não acredito nos remendos que estás a dizer que fazes. Deve ser fundamental para alguns, e determinante para manter uma certa paz social. Mas não resolve, tal como está a ser feito, o problema crónico das assimetrias endémicas existentes nesses lugares.

Não sei qual a solução. Sei que as coisas são como são, e qualquer alteração tem de partir dessa realidade.

E acredito que as sociedades mais evoluidas no futuro serão aquelas que conseguirem reduzir as tensões interiores sentida pelos seus cidadãos na presença da diferença.

Sei que a diversidade será cada vez mais determinante no desenvolvimento social, político e económico.

Também sei que estarei do lado de todo aqueles que lutarem por essa sociedade.

catizzz disse...

Eu não me fecho nem deixo de ter esperança. Pelas pessoas com quem trabalho. Pelos "milagres" a que já assisti. Mas tudo poderia ser mais fácil, mais rápido e menos doloroso. Não houvesses todos estes ruídos, que o são porque daqui a uns dias já ninguém se lembra dos miúdos que crescem nas belas vistas da vida. Só talvez os movimentos de extrema direita, a quem tudo isto dá imenso jeito...

catizzz disse...

Ainda sobre a Bela Vista, leitura recomendada: http://pachadrom.blogspot.com/2009/05/pedras-contra-tanques.html