quarta-feira, 20 de maio de 2009

Desafio aos Bisturis

"Creio ser necessário rever conceitos como investimento, hierarquia, trabalho, esforço, criatividade."

Artur S.


Gostaria de convidar toda a multidão que nos segue para participar neste debate. E se poderem ou quiserem tragam um amigo.

Eu e o Artur consideramos que as coisas, tal como estão, não vão durar muito. Estamos no fim da linha de um modelo cultural que, de alguma forma, mistura tiques de ditadura com um vale tudo niilista.

Consideramos que esta forma de estar é insustentável e é um modelo que está a "quebrar".

Conceitos como investimento, hierarquia, trabalho, esforço e criatividade têm de ser reequacionados. Esse é o nosso desafio.

Está comnosco?

11 comentários:

catizzz disse...

Concordo que o modelo está falido. Mas precisava que me esclarecessem o porquê da eleição destes conceitos para "revisão".

La Payita disse...

Sem entrar para já no debate, concordo com a Catizzz.

Esclareçam-me as opções. Não que discorde delas. Mas porquê modelo cultural e não social?

Para serem reequacionados os conceitos têm de ser definidos. Para perceber se falamos todos do mesmo. (é que eu tenha cá para mim, que a questão nunca é nos conceitos mas na sua aplicação).

Hierarquia, porquê?

Porque não incluír "educação". O próprio conceito de "cultura" é, como diria a supra-citada, pantanoso.

Ou então sou eu a meter o bedelho onde não devo...

Qual é o enquadramento deste debate? É que eu cheguei agora... B-)

Ricardo Castro disse...

Tem de ser o debate que deve esclarecer essas questões todas.

Nada disto é tão formal, embora pretenda ser sério, que pressuponha tanta pré-organização.

Não se pretende definir academicamente estes conceitos. Mais: a ambiguidade é própria de qualquer debate no seu início. As palavras ganham textura quando são usadas nas conversas, a partir dos exemplos, dos contextos, etc.

Conversar também é uma arte. E não é nada fácil!!! Falar é. Conversar não.

É necessário escutar, esperar que as palavras ganhem expessura, perguntar muito ao início e julgar pouco, valorizar de antemão a inteligência do outro (efectivamente e não em discurso), saber lidar com a incerteza, esperar que as ideias ganhem densidade, etc...

Muitas conversas abortam quando se espera ver no outro muita clarividência. Nesse campo talvez o que estou agora a dizer não corresponda às vossas espectativas. Não sei.

É só isso que esperamos para já, conseguir ultrapassar todos esses obstáculos. Seremos capazes?...

A aplicação dos conceitos, dos discursos, das definições, para já faz cada um na sua vida.

Depois, está tudo em aberto.

O que se pretende, antes de mais nada, é manifestar uma certa insatisfação e procurar reunir um conjunto de pessoas interessadas em construir uma saída para uma situação manifestamente errada.

catizzz disse...

Para mim, a tal saída implica revolução. Acção. Se calhar com alguma violência. Bang bang!

catizzz disse...

Além disso, e pergunto então aos bisturis: o que é que estamos dispostos a "sacrificar" por essa mudança? Sim, porque somos actualmente todos cúmplices da realidade actual. Acho que é essa a verdadeira questão. Isto é tudo muito bonito mas será que estamos verdadeiramente dispostos a mudar?

Ricardo Castro disse...

Talvez não para aquilo que tu pretendes.

Acho que estás á procura de algo que não existe. Eu quero mudar com ideias que sirvam as pessoas, não quero fazer nada com pensamentos que as idealizem.

Acho sempre que exigir que as pessoas sejam algo mais do que elas podem ser dá em despotismo. Mesmo quando são ideias defendidas com a melhor das intenções.

Mas gostava de saber as tuas opiniões em concreto. Como é que imaginas o mundo daqui a X anos? Mudamos para ser o quê?

Bang bang!

catizzz disse...

Ou não percebeste o que eu disse o então sou eu que não percebo nada.
Não se trata de exigir das pessoas mais do que elas podem ser. O facto é que vivemos todos dentro deste sistema. Se queremos outro, teremos que mudar ou não?
Ideias toda a gente tem.

catizzz disse...

A resposta à tua questão do como será o mundo daqui a x anos, não tenho opinião muito optimista. Ou as coisas mudam a sério, ou caminharemos para um cenário tipo filme futurista caótico. Milhões de miseráveis e uma meia dúzia a viver numa fortaleza qualquer.

catizzz disse...

E ainda reforçando a minha teoria aqui ficam umas citações (Gracias Fliper!):

"Temos que nos tornar na mudança que queremos ver". - Ghandi

"Perante o mundo que muda, mais vale pensar a mudança que mudar o pensamento" - Francis Blanche

"Nem tudo o que enfrentamos pode ser mudado. Mas nada pode ser mudado enquanto não for enfrentado"

Ricardo Castro disse...

Aquilo que disse não foi pelo que disseste agora, mal pelo que disseste noutras conversas e pelo que leio no teu blog.

Mas também não o disse cheio de certezas, porque não as tenho. Mais: o que disse foi acima de tudo para provocar. Espero não ter sido ofensivo, mas seguramente incómodo.

Dizes que se as coisas se mantiverem como estão evoluimos para o caos, e se mudarmos sem uma ideia não acontece o mesmo?

Mesmo pessimista podes sonhar com algo, com pequenos ou grandes aspectos que podiam ser diferentes. Num blog não se muda nada, mas discutir pode dar força (conforto, argumentos, soluções, ...
) para as nossas lutas, diárias, revolucionárias, íntimas, etc.

catizzz disse...

Já reconheço as tuas provocações Ricardo! E como é lógico não fiquei nada ofendida, nem poderia uma vez que eu própria também uso a provocação amiúde.
É claro que as ideias são essenciais. Aliás, são sempre um início. A minha provocação aos Bisturis é que ia no sentido da citação do Ghandi. Temos que mudar-nos primeiro internamente para poder mudar o exterior, o meio que nos envolve.
É claro que não espero que dos nossos debates saiam grandes mudanças efectivas (mas nunca se sabe...). O que me parece é que vivemos numa época em que dispomos de grande parte das ferramentas necessárias para efectuar uma mudança positiva. Que continua a não acontecer, pelo menos não de forma estrutural. Em relação ao futuro e à visão de caos, parece-me mais plausível pelo que vou observando diariamente. Mas acredito! I still believe...