“Verdade é que o homem sensato não evita o prazer, e quando finalmente as circunstâncias o obrigam a deixar a vida, ele não se comporta como se esta ainda lhe devesse algo para a suprema existência” – EPICURO
Quem tem as graças é a tal menina. Eu nem chego a ser engraçado!
Mas sem uns golpes o bisturi não tem graça!
Recomendo mesmo “disponível para amar” para entrar num jogo entre paixões e bom senso, no entanto longe do senso comum. E sim amigo, creio que apreendi à primeira o âmago do teu post. Que de resto, me parece que vai no mesmo sentido do EPICURO.
Os caminhos é que são imprevisíveis, mas os trilhos talvez rondem os que referes.
Finalmente é Sexta-feira
Há 14 anos
4 comentários:
O que me deixou intrigado nesta discussão foi a centralidade dos conceitos definição e subjectividade. Porque acho que são conceitos oriundos das correntes racionalistas. E normalmente, nas nossas discussões, sou eu que estou do lado dos racionalistas e vocês, os dois, normalmente enaltecem a importância dos estados d`alma.
Não é a subjectividade um óptimo alimento para os estados de alma?
Não serão as definições um constrangimento a uma vida plena de estados de alma?
Dificultam concerteza a conversação. E é nesse processo, no diálogo entre pessoas, que me parece que as paixões podem ser bem exploradas.
O meu esforço para reconstruir o sentido do bom senso advém dessa percepção. Acho mais importante que não se defina um termo tão ubíquo na nossa sociedade e que o seu sentido resulte da conversação e, como disse anteriormente, dos resultados de certas personalidades no âmbito cultural.
Catizz, cá está uma questão onde a ciência não tem lugar. Não é bom nem útil objectivar algo que "regule" as relações entre as pessoas. E o bom senso é usado nesses termos.
Interessa-me mais criar um espaço de liberdade para a conversação e a definição de bom senso "salazarista" sobreposta à de senso comum é um enorme empecilho para a expansão desse espaço.
Pois... tenho um problema com essa coisa do bom senso. Para mim será uma espécie de sistema métrico interno, individual, pessoal e intransmissível. Que nunca poderá ser utilizado para ou por outros. No entanto, existe um bom senso colectivo, tipo "best of" , que nos é impingido sem grandes questionamentos e que acaba por funcionar como braço armado dos velhos do Restelo, rejeitando a mudança e a inovação.
Em última análise o que estás a dizer é que esta palavra, tal como está definida, é de tal forma errada que não pode ser proferida, nem usada em qualquer contexto, senão o da nossa intimidade.
Mas as personalidades manifestam-se, quer queiramos quer não. É usual nos grupos de amigos, nas famílias, entre colaboradores, que haja alguns que se tornam figuras centrais para outros, e essa centralidade encontra-se na sua capacidade para ouvir e encontrar soluções (que são dadas como boas).
Esses são os que têm bom senso. Sejam lá porque razões. Mas essa capacidade tem limites - que dependem do assunto, do contexto, do momento, etc. Mesmo assim existem figuras com maior capacidade para conciliar e promover a conversação e/ou desenvolver actividades.
O que é novo nesta forma de encarar o bom senso, e a novidade não é minha, é a aceitação das limitações seja de pessoas, de conceitos, visões ou de definições. E desta forma tirar daí ilações: nunca meter todos os ovos no mesmo cesto.
Mas mesmo assim devemos colocar alguns ovos em alguns cestos. Eu escolho intuitivamente algumas pessoas para as minhas relações, que por sinal considero, também intuitivamente, que têm qualquer coisa que lhe chamei aqui de bom senso. E não dizem apenas banalidades, não dizem apenas coisas que pretendam conter o meu comportamento para não ferir susceptibilidades (ou o senso comum). Foi sobre isso que quis reflectir.
Eu considero que aceitar esta ideia de falibilidade é um sinal de humildade, que simultaneamente confere força. Mas aceitar não é dizer que de facto as pessoas são infalíveis.
Aceitar é tornar este príncipio operativo na nossa intimidade e na nossa relação com os outros. Esperar mais, mas não tudo dos outros. Considero que isso não acontece muito. Oiço com frequência críticas que me parecem ser fundadas na desconfiança, apenas. Essa desconfiança provém muitas vezes de uma exigência sobre os outros sobrehumana.
Não aceitar que existe gente que é capaz de fazer coisas melhores do que nós em certos aspectos específicos dificulta muito a vida. E impedem a conversação - ou por outras palavras impedem que se desenvolvam ambientes construtivos.
Não discordo de nada do que dizes. Mas estamos a falar de coisas completamente diferentes, o que prova mais uma vez a ambiguidade do conceito "bom senso".
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