quarta-feira, 4 de março de 2009

Ser Humano

nas mesmas noticias ao redor daqueles que comentam o twitter ou o facebook, outras trazem dados de estudos antropológicos e psicológicos que afirmam que as redes socias para funcionarem efectivamente rodam números entre os 30 e 150 elementos. acrescentam que na vida animal a dimensão da rede social depende pois do tamanho e complexidade do cérebro. Outro dado, refere-se à quantidade e regularidade e qualidade que se atribui aos contactos preferencias - às relações intimas - e assentam os autores que as relações protegem independentemente o estatuto socio-económico ou do estilo de vida. tudo indica que manter relações a que se dá valor e relevância fomenta a circulação de experiências e aumenta probabilidade de resoluções de problemas - lato sensu.

comunicar tem sido uma aposta do humano, mas nem sempre cada vez que se comunica se está de facto a dar os tais "saltos" de que falas ricardo. a vontade de resolver problemas é um desafio que por vezes se tende a adiar, tantas vezes face inquietante da contradição e especificidade do nosso cérebro. por um lado evoluido e dotado naturalmente para a curiosidade, prospeção do meio e investigação das soluções. por outro, as necessidades básicas hiperapiziguadas nos circulos ditos desenvolvidos. sem combates, sem desafios que sejam mobilizadores de um "salto" humano. o caçar e lutar de outros tempos podem ter desaparecido e ter gerado um conforto e uma impressão civilizacional mais vasta e segura do que na realidade é - mais fragil, mas no entanto preciosa!

vale isto dizer que comunicar implica o toque, mobilização de musculos e sentidos, pensar e sentir, se tudo isto por ventura não serão apenas e só a mesma coisa.

somos provavelmente bem mais parecidos uns com os outros do que desejariamos. a única hipótese é de nos conhecermos e reconhecermos na mente do outro.o que implica a aposta, o improvavel, avançar para além do limite. criar familia, grupos bem como questiona-los e refunda-los.

facebook ou twitter - nada compete ou invalida a comunicação, nem faz de nós menos humanos e mais máquinas. não substitui a comunicação mas concorre seguramente de algum modo para esse espectro de experiência.

mas tal como qualquer actividade repetida e limitada, dirão alguns torna-se especializada e hipertrofia as outras funções - faz lembrar os perigos da masturbação do principio do seculo passado.

6 comentários:

Ricardo Castro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ricardo Castro disse...

Sem dúvida que vivemos quotidianamente debaixo dessa "tensão essencial": proteger a identidade e evoluir em ajustamento.

Viver de mente aberta é olhar para o futuro nas suas imensas - totais e infinitas - possibilidades. Nessa situação o conforto advém da sensação de liberdade. O valor máximo é a escolha.

A mente fechada é-o na medida em que se sente confortável nos limites do conhecido. Mas esse conforto não advém da consciência das limitações. Pelo contrário. Essa é uma visão dada pela meta-experiência (a análise da experiência). O conforto provém da sensação da totalidade que a experiência vivida dentro do círculo de contactos preferenciais confere. É a sensação de que "está lá tudo" o que é necessário. Essa vivência também projecta a mente para a sensação do infinito. Mas já não é a escolha o valor sem limites, é a crença. A intensidade que pode ser atribuída à crença deixa de ter limites! Conferindo, essa possibilidade de expansão, a mesma sensação de liberdade.

Por isso, quando estamos bem desejamos viver assim para sempre.

Depende do prato que tem mais peso em cada situação se nos conservamos ou se evoluímos para outro estado. Mas ambos os processos são vitais. Ambas as dimensões conferem a cada ser humano o espectro da totalidade e do infinito.

Serão essas sensações o oxigénio da psique humana?

EuSouGourmet disse...

Caro Artur,

Em 2004 um sr. chamado James Surowiecki, publicou um livro que se chama A Sabedoria das Multidões (The Wisdom of Crowds), que referencia que por mais estudos e técnicas que se usem nada reverte a sabedoria das multidões.

Ao ler o teu texto lembrei-me logo de várias passagens lá retratadas.

Mas o que acho mais piada é o facto que a nossa condição de humanos obriga a comunicação, o facto de termos facebook, twitter, messenger, LinkedIN, blogs ou outros é simplesmente para podermos gritar e sermos ouvidos, mesmo que do outro lado só venha um LOL.

Gosto de acabar sem fim, mas lá vai um abraço. V

Artur disse...

Caro Gourmet

Não conheço o livro mas fiquei com curiosidade, vou ler assim que possível. Tanto mais que esse título de imediato me fez recordar o velho texto “a psicologia das massas” do jurássico Dr. Freud. São cá coisas minhas … 
Mas sim não posso estar mais de acordo quanto à necessidade do gritar e à necessidade de sermos ouvidos. Motivações exigentes, ambiciosas e nem sempre claras (o que muitas vezes é uma vantagem) – mas trabalho que organizamos a sós e/ou em conjunto desde o inicio da vida e que afinal é o trabalho de uma vida!
E nisto da comunicação quanto mais é sempre melhor! Descobrir e trilhar caminhos nos novos suportes informáticos, de informação e por ai fora é com certeza humano.
Mas caro Gourmet pela breve investigação que fiz vejo que te dedicas a uma área muito nobre da humanidade, que é também uma das minhas favoritas e que me faz sempre lembrar o quanto vale a pena ser humano.
Ocasião para dizer que esta ligação internética já está a dar frutos.
Bons petiscos.
Keep in touch!

EuSouGourmet disse...

Caro Artur,
Não tenho identidade secreta, sou o Vicente irmão do Ricardo.
Venha cá por vezes dar uma vista de olhos,
Abraço
V

Artur disse...

Caro Vicente

Faz favor então de passar por aqui masi vezes, que eu já sou um assiduo leitor do teu blog!

até breve

Um gourmand!!!