segunda-feira, 9 de março de 2009

Somos todos esses turistas

"Estamos convictos, dentro desta moldura metafísica, que não há continentes por descobrir; nem ilhas de refúgio onde buscar miragens paradisíacas; colocados perante a nossa consciências de universalidade, pela primeira vez na história, é-nos vedado erguer andaimes em redor de qualquer felicidade, qualquer justiça, fraternidade ou optimismo; coisas essas que o nosso afã de saber e de criar arrojou ao nada absoluto.
(...)
Vivemos assim, à escala universal, as nossas penas e calamidades, clausurados em limites que sabemos intransponíveis por agora, teimando ao mesmo tempo por transpô-los, com o estratagema da técnica ou da mente, a fim de ir ancorar em sítios menos trágicos, desertos por fugir à condenação daquilo que somos.
(...)
O racionalismo ocidental, vertido sobre toda a Terra, soube formular um ou outro diagnóstico, mas nunca foi capaz de nos brindar uma solução. E as crises que hoje assoberbam os dois regimes, o capitalista e o comunista (movidos embora para mesma metafísica, como dizia Heidegger), são provas acabadas da impossibilidade a que me refiro. Não sabemos assim porque viemos a este estado, e ignoramos para onde vamos."

Vintila Horia, Introdução à literatura do século XX, 1976

1 comentário:

Artur disse...

“O acaso só favorece a mente preparada”. disse o L. Pasteur