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http://www.ted.com/index.php/talks/dan_dennett_on_our_consciousness.html
Finalmente é Sexta-feira
Há 14 anos
" A simplicidade é um aspecto superficial do complexo ou então a síntese duma estrutura dificil. A simplicidade adquire-se com a maturação do espírito; a sobriedade e a concisão obtêm-se por sistema de eliminação, e são obra duma intensa experiência." Agustina Bessa Luis in Contos Impopulares
16 comentários:
Não sei porquê, mas após várias tentativas de ver esta palestra, o vídeo chega aos 4 minutos e pouco e já não sai dali...
Em relação aos 4 minutos e tal e a algumas coisas que procurei, após perceber que não me ia safar com o vídeo:
(lá vou eu responder ao vosso blog racional com emoções... sorry...)
Parece-me uma teoria interessante, apresentada de forma muito inteligente, enfim, o Sr. tem qualidade. Mas é o tipo de teoria que rejeito à partida. Não me venham com a história que somos apenas um monte de células, programadas uma a uma para fazerem o seu trabalho. Que somos reacções químicas e curtos-circuitos. Que somos SÓ isso.
Somos mais! Nós e tudo o que vive. Acreditar que é assim não é propriamente uma escolha (pelo menos não consciente... consciente, lol...) mas tudo o que tenho visto, pensado, sentido, faz-me concluir uma e outra vez que não é de outra maneira. Aliás, a minha convicção tem crescido ao longo dos anos.
E peço que só me acordem deste "sonho" se nos descobrirem num qualquer Matrix. De resto, ser reduzida a genes egoístas, não obrigada!
Que não somos apenas células, reacções químicas e curtos-circuitos estou de acordo. Existem fenómenos que emergem a partir da formação de colectivos que, ainda não estão explicados, e que permitem distinguir máquinas, simples matéria, da vida. Ou consciência.
Mas isso não significa que a base não seja toda ela material e que o fenómeno não seja físico.
Para além disso também não compreendo essa separação entre a racionalidade e as emoções. Pensar é um fenómeno muito excitante. Profundamento emocional. E as emoções são reacções profundamente lógicas. Sendo um fenómeno associado às experiências passadas a sua existência tem uma função profundamente racional - de sobrevivência, da defesa dos valores, de prontificação, de chamada de atenção, etc.
Os estados d`alma são parte da nossa existência, que devem ser vividos - eu vivo-os! -, apenas não me chegam. E procuro não subordinar o conteúdo ao meio de comunicação.
Sim, tudo o que dizes é verdade. A ciência explica e analisa também o emocional, dá-lhe importância, integra-o, como acontece, por exemplo, com os trabalhos do Damásio. Ontem à noite, alguém me dizia, "podes estar descontente com o método científico mas ele é o único, por enquanto, que nos permite chegar ao conhecimento". Verdade também. Só não sei se devíamos estar todos tão concentrados nele. Por cada vez mais me parece que outras coisas nos escapam pelos dedos, simplesmente por não são explicáveis pelo método.
Completamente de acordo!
O método científico é útil, mas não é a única forma de interagir com o que "está fora" - pessoas ou natureza.
Há quem defenda que nem sequer existe um único método científico, e que existem inúmeros. E essa tese está cada vez mais em voga. Também há quem estude o acaso como fonte de grandes descobertas. Existem muitos exemplos. Isso requer dizer que por vezes a interacção se faz sem método. Talvez com muita paixão pelo que se faz.
Eu sou muito materialista (do ponto de vista filosófico), não creio em um só deus, pai, todo poderoso, nem na ciência vista como tal. Gosto mais da ciência pelos seus valores - liberdade, precisão, comunidade, crítica, pesquisa, etc.
Quanto ao método é um entre vários, o científico é dirigido pelo inquérito. Portanto, não o considero sequer válido para estabelecer relações e/ou conhecer pessoas.
Com certeza que não é válido para conhecer pessoas ou estabelecer/desenvolver relações. De resto, está em todo o lado. Ainda mais agora, apoiando e apoiando-se na tecnologia.
A ciência e as suas diferentes formas de inquérito são hoje fundamentais para manter a nossa sociedade em movimento. Com toda a tecnologia e complexidade dependemos da ciência.
Mas existem muitas outras formas de estabelecer relações com o meio e com os outros e estão tão implementadas como a ciência: as religiões, os livros de auto-ajuda, a filosofia, a astrologia e outras actividades semelhantes, etc.. Todas elas se apresentam como veículo de abertura.
O bom da nossa sociedade é que podemos escolher com quem queremos alinhar. A oferta é enorme.
Podemos finalmente, no que a Portugal diz respeito, viver em liberdade efectiva. Com múltiplas possibilidade para escolher.
Eu gosto do meio científico, mas alguns amigos meus sabem muito pouco sobre esse mundo. Recebem as novidade pela sua utilidade, sem questionar donde e como surgem.
E felizmente podem.
só quero dizer que este é o post mais concorrido da história deste site.
por favor façam estatisticas, artigos, médias e teses só para suportar e espremerem este facto ... espremer cientificamente é claro!!
Amigo ricardo essa não percebi, explica lá isso dos amigos, os que gostam do meio cientifico e outros que não ... podes não dizer nomes lolol!
Quando falo com alguns amigos que trabalham em algumas empresas, para dar apenas um exemplo, é notório o quanto estão afastadas da cultura e dos métodos científicos.
Não sei se isso é bom ou mau para eles. É discutível. Mas sem dúvida que é bom para a sociedade existirem muitas sub-culturas.
Essa riqueza é uma força. Mas também acarreta dificuldades. Nomeadamente de compreensão do que aquilo surge na nossa "ecologia comunicacional".
PS: Acho que este é um bom fórum para desenvolveres as tuas ideias sobre o método científico. Gostei de te ouvir, em outras conversas, mas nessa altura não ouve oportunidade para desenvolveres.
Até que enfim contamos com o Dr. Artur nestas argumentações animadas!
Voltando "à vaca fria", Ricardo:
Não concordas que, apesar da imensidade de informação ao nosso dispor em termos filosóficos, espirituais, etc, continuamos a viver subjugados à ciência? Ou seja, o que não podemos provar cientificamente não é levado a sério pelo mainstream?
Isso é verdade. Mas vale apenas para o mainstream público e económico.
Todas as sociedades são governadas por um qualquer sistema de valores. Só assim existe ordem social.
Eu considero que a ciência emancipou o homem. Porque o retirou do centro do mundo, relativizou. Embora tenha sido tudo parte de uma co-evolução política, científica e social, não foi mérito exclusivo dos cientistas.
E por tudo o que a ciência ofereceu à sociedade fê-la ganhar, gradualmente, uma voz de autoridade. Isso foi mais visível a partir do século XIX. A partir dessa altura a ciência democratizou-se e fez-se autoridade.
Hoje somos uma sociedade induzida pela, e dependente da, ciência.
Mas não é necessário viver completamente imerso na cultura científica. É tudo uma questão de escolhas: quem queremos como amigos; o que é que estamos à procura; que estilo de vida desejamos; quão grande ou pequenoa é a nossa capacidade de auto-aprovação; etc.
Mas viver afastado da cientificidade dentro da nossa sociedade não é fácil.
Mas também ninguém vive apenas da cultura científica. Pode não parecer, mas ainda há muitos domínios privados nas nossas vidas, no nosso quotidiano, onde a ciência nem sequer é convocada!
Mais: o que a cultura científica nos propôe, relativamente às provas, é um cepticismo saudável.
Uma certa exigência de não "passar cheques em branco" a ninguém. Isso serve para nos proteger dos despotismos.
Concordo com o que dizes, mas pintas um quadro demasiadamente bonito. Ou então sou eu demasiadamente pessimista... Não vejo assim tanta democracia e liberdade. Defeito de profissão, talvez. Lido quotidianamente com a injustiça, a descriminação e a falta de respeito pelas escolhas de vida de cada um. E não dou conta de tanto trabalho...
O meu olhar não é optimista, é determinista. Não acredito que tenhamos hipóteses de promover desenvolvimento sustentado se não exploramos até à exaustão as ferramentas que a democracia nos disponibiliza: a escolha. No entanto podemos e devemos ter diferentes discursos para diferentes situações. E abrir com isso as opções. Julgo que essa é uma obrigação ética da vivência em democracia: escolher e disponibilizar opções para os outros.
Existem injustiças, e existe gente que nem não tem capacidade - conhecimento ou força - para lidar com elas, para deixar de sofrer essa injustiça. De facto, a resiliência de uma sociedade depende absolutamente da sua capacidade para resolver esses problemas sociais. E para isso necessita de gente identificada, envolvida e capaz.
Mas também existe muita gente que vive em condições em que as suas necessidades materiais estão preenchidas. O que "lhes falta" surge das suas opções de vida. É o resultado da conjugação de experiências e espectativas.
Considero que o discurso público não deve estar refém daquilo que está mal. E nós estamos reféns disso mesmo. Se há pobres não se pode falar em riqueza, se há injustiças não se pode falar em fortuna, se há doença não é possível falar em lazer, se há tristeza temos de gritar ao mundo quanto ele é maldoso, se há desemprego não se pode defender a qualidade do emprego.
Acontece que há, houve e haverá sempre tudo isso. O nosso discurso oficial tem (ao que parece) de ser negativo e centrado nos problemas. Parece desconfortável falar para gente e sobre gente que faz, foi capaz e continua a ser capaz de fazer coisas, de ultrapassar obstáculos. Isso parece que nos afecta como sociedade.
Assim, a nossa ecologia comunicacional projecta um país pior do que ele verdadeiramente é. Não se trata de fingir que não há problemas. Insurjo-me apenas com a exclusividade do discurso negativo. Resultado: a nossa ecologia comunicacional está saturada de maus modelos, por isso temos mais dificuldade em produzir pessoas identificadas, envolvidas e capazes. Ou seja bons modelos. Modelo que nos dariam esperança, modelos que se poderiam propagar, modelos que, quando atingissem um certa dispersão, permitiram diminuir o impacto de todas essas coisas negativas.
Estamos dentro de um padrão negativo.
Eu vejo-os, vejo-os em cada vez maior número, e por isso tenho esperança. Isto não é optimismo, nem é negativismo: é um posicionamento na vida alicercado em escolhas. Não sei fazer previsões. Ver coisas boas foi uma escolha - a minha escolha.
Concordo plenamente, mais uma vez...
Mas, e embora procure exercer uma influência positiva junto dos que me rodeiam, no fim do dia, quase todos os dias, o que sobra é pouco. Há muito por fazer e poucos parecem interessados em fazê-lo. Eu sou apenas um soldadinho na linha da frente. E dos tenentes aos generais, parecem-me todos muito mais interessados em ganhar para si, aqui e agora, do que ganhar para todos, ganhar o amanhã.
Falhas quando pensas que estás sozinha.
Há muita gente a fazer coisas muito interessantes.
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