A associação CAIS está neste momento a colocar estas duas questões - onde estão e quem são os actores sociais? - e muitas outras no seu 8º Congresso.
Clay Shirky dá-nos algumas respostas sobre onde estão e quem são os potenciais actores do futuro: - Estão em casa a ver televisão! É aí que está a maior base de recrutamento para a intervenção social em todos os domínios. Tal como ele afirma está aí um elevado "Excedente Cognitivo" das sociedades modernas.
Muitos deles só precisam de um pequeno inventivo outros de um espaço onde possam expor as suas ideias, e, pela visão dos grandes números, basta uma pequeníssima alteração de hábitos da grande massa de gente para modificar o panorama dos recursos disponíveis e provocar grandes impactos (positivos, espero...) ao nível social.
Esse é um recurso por explorar em prol dos agentes sociais que estão no "terreno".
Essa é uma das revoluções necessárias para fazer na mentalidade das populações mundiais: a tecnologia pode ser promotora da intervenção social. Da massa pode surgir UMA grande solução de tempos a tempos; pode vir de um tipo que apenas de dedicou a esse problema um mísero minuto.
Finalmente é Sexta-feira
Há 14 anos
6 comentários:
Este post é para mim...tb
Agir politicamente, torna-nos mais conscientes e responsaveis pelo interesse do Bem Comum, de melhorar as asssimetrias e desejar-nos com maior justeza.
Assim faço o pré-anúncio da criação de um movimento civico, apartidário, de Actores Sociais, o MAS.
Há milhares de actores sociais em Portugal, nomeadamente, organizações, empresas e simples
indivíduos…
… respondem a infinitas situações de crise ou de emergência social…
MAS
- não se sabe quem são,
- onde estão
- e o que fazem…
… fazem um trabalho extremamente necessário e precioso…
MAS
- actuam de forma isolada e de costas voltadas
- sem conseguirem frequentemente resultados geradores de capacitação, mudança e
sustentabilidade crescente
… são uma força imprescindível no terreno…
MAS
- muito poucos vêem a sua dedicação reconhecida
- muito poucos têm consciência do seu potencial, do seu papel e da importância que têm, na
defesa de pessoas, grupos ou comunidades…
- sem que tenha tido impacto na sociedade civil e nas políticas sociais…
→ Missão
Ao constituir-se como uma rede nacional, com núcleos distritais, o MAS é
- Um espaço de encontro, onde actores sociais, convencidos sobre a importância da
cooperação e inter-ajuda, partilham livremente diferentes contextos, preocupações, visões,
desafios, experiências, saberes e soluções;
- Uma força mobilizadora e promotora da participação cívica de todo o residente em Portugal,
a favor de um mais participado e inclusivo Estado Democrático;
- Uma força sociopolítica apartidária, sem credos civis ou religiosos, focalizada na defesa dos
direitos humanos.
Portanto fica o convite, apareçam 6ª feira à tarde na FLAD.
São notícias dessas que me fazem renovar todos os dias a crença de que o nosso país esta a evoluir no sentido certo.
Existe muita gente a ter ideias e a concretizá-las. Cada vez mais. Ideias excelentes. Essa é mais uma delas.
Sem dúvida que um dos nossos principais desafios é colmatar a ausência de articulação entre as várias entidades cujo seu campo de acção é o mesmo.
A iniciativa MAS é, por isso, absolutamente necessária e vai ser um êxito.
Aguardamos por notícias dos trabalhos do MAS.
O trabalho em rede é essencial. Espero que o MAS se cumpra e traga novas dinâmicas ao trabalho social. De qualquer forma, não posso deixar de dizer que existem perigos inerentes que é preciso ter em conta para que as redes surtam efeitos, de facto:
1 - existem já várias redes na área social a funcionar em PT. A actividade destas redes ocupa já imenso tempo aos técnicos, que correm de reunião em reunião, preparando relatórios, tratando dados, etc. O que é positivo apenas até ao ponto em que deixamos de ter tempo para fazer o nosso trabalho...
2 - como disse, acredito no trabalho em rede. Mas a maioria das pessoas/entidades adere única e simplesmente porque é politicamente correcto fazê-lo. A partilha de informação e recursos, a circulação de boas práticas é um fantasma num país em que as entidades são concorrentes entre si e trabalham de costas voltadas, mesmo quando sentados à mesma mesa, sob uma qualquer rede ou parceria. É imprescindível trabalhar abertamente estas questões, chamar os bois pelo nome, pôr o dedo na ferida. Senão lá caímos na fachada... oca por dentro...
Acho que a Catizzz tem razão, por vezes as instituições pesam. Mas já existe algum pensamento estruturado sobre essa matéria, e que começa a apresentar soluções.
O mesmo autor do video colocado neste post, fala, noutra palestra, sobre isso:
http://www.ted.com/index.php/talks/clay_shirky_on_institutions_versus_collaboration.html
Quanto à cultura de colaboração em Portugal também quero dizer qualquer coisa.
É fundamental que cada um de nós olhe para si próprio como actores sociais. Temos de nos ver como agentes neste cenário, cujo palco é Portugal. Não basta olhar tudo do ponto de vista da análise, como se estivessemos de fora.
1º O MAS é uma demonstração de que existe quem por aqui procure alterar o estado da situação, com acções. Não ficará tudo igual depois e se o MAs vingar.
2º Hoje participei numa iniciativa proposta por vários órgãos de comunicação social denominada por "Portugal é para Todos". (ver na página do Expresso, visão, SIC). Ela em si mesmo é mais um exemplo de qual é a tendência evolutiva da sociedade civil em Portugal.
3º As Fundações Ilídio Pinho, Champalimaud e Soares dos Santos surgem como mais um indicador dessa tendência.
4º Nós pelo facto de estarmos aqui a pensar nestas questões.
5º A quantidade de movimentos sociais (Think Tanks) e partidários que estão a emergir são um sintoma de que há gente a tentar se oferecer como alternativa
6º Os nosso dados de ciência são também a demontração de que estamos a acompanhar as tendências mundiais;
.........
Finalmente para acabar esta triologia com uma história:
Neste sábado passado no programa da SIC Notícias "Eixo do Mal" a Clara Ferreira Alves faz algo que é muito paradigmático do tipo de cultura que me parece estar a ser substituida, mas que é ainda um entrave ao nosso desenvolvimento social.
Comparou Portugal aos EUA. A sua tese era a segunite: aqui está tudo à espera que o Estado dê indicações sobre a melhor forma de sair da crise e nos EUA a sociedade civil já começou a reagir. Nos programas de TV existem já um conjunto de pessoas que dão conselhos sobre a melhor forma de encarar este problema. Ela deu como exemplo o tipo que corta cartões de crédito em palestras, como gesto simbólico, porque, afirma, estes são responsáveis por uma subida dos gastos de consumo dos seus portadores. E por isso aumentam o seu endividamento.
Nada a declarar.
A mesma Clara, numa outra fase do programa, comenta uma medida deste governo para combater a crise. Uma medida que foi apresentada como uma ajuda do Estado a quem está endividado. Aparentemente ela discorda da medida porque considera que é simplemente um adiar do problema, mas o que é que fez: "cortou cartões de crédito"? Não. Colocou-se como agente da sociedade civil que aconselha os seus concidadãos? Não.
Fez uma análise sobre a sociedade civil portuguesa. Voltou a criticar a forma como encaramos o estado. Diz que as pessoas até vão aderir porque não estão para pensar.
O que é que ela não fez: não falou como sociedade civil para a sociedade civil. Não foi capaz de se colocar "dentro" e dialogar. Colocou-se no lugar, isolado, da pessoa que vê e pensa melhor do que os outros.
Essa posição é insuficiente e, de certa forma, errada. Foi mais uma oportunidade perdida pela própria para demonstrar que afinal Portugal até tem pessoas como ela atentas e que, quando necessário, assumem o seu papel de agentes sociais. Com arrogância, sem arrogância, cada um à sua maneira. Mas afirmar a sua posição. E com isso demontrar que Portugal não é tão diferente dos EUA no que respeita à capacidade da sociedade civil.
Ela está atenta mas não retira consequências acerca do seu papel como agente. Faz criticas à postura dos portugueses mas faz exactamente o mesmo. Se há perigos na medida diga quais são e deixe cada um fazer as escolhas tal como entende.
Assim, ainda falta dar esse passo...
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