quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

uma mensagem ambigua

9 comentários:

catizzz disse...

Não me parece existir ambiguidade nesta mensagem! Passei por aqui e estou a comentar sem grande reflexão prévia. Mas se me colocassem esta frase num questionário daqueles do concordo/discordo, diria imediatamente concordo! Talvez a única ambiguidade esteja no facto de de que o suposto acto de vandalismo aqui mostrado, é inteligente. Coisa que a nossa sociedade não merece! Era a isso que te referias?

Artur disse...

right on the point!!

foi isso também que vi nesta imagem e que aliás me fascina neste tipo manifestações públicas - a espontaneidade mas sobretudo a sagacidade - eficaz, conciso e incisivo como um bisturi.

só não percebi essa do não merecer ... como é isso?

catizzz disse...

Se partirmos do princípio que a sociedade tem o vandalismo que merece, acho que a nossa merece pior que isto. E tem, de facto. Este nem será um exemplo de vandalismo, mas sim de intervenção em espaço urbano.

Ricardo Castro disse...

Esta mensagem pode ou não ser ambígua. Depende da forma como a encaramos.

O que ela diz não é mais do que a manifestação de um estado de espírito.

Mas nada diz sobre o seu significado concreto: o que quer dizer com merecer, quais as consequências desse merecimento, quais os actos que devem ser consequentes com essa disposição.

Eu procuro não ter relações com sociedades, as minhas relações mantenho-as com pessoas.

A responsabilidade e as consequências a ela associadas devem manter-se individuais. É isso que falta muitas vezes em Portugal, zangamo-nos com a sociedade e fechamos os olhos a coisas que vemos todos os dias.

Castigar sociedades é um acto um pouco opressivo, ou não? Os colectivos terão uma moral? São todos os seus indivíduos igualmente responsáveis pelos acontecimentos que nos chatearam?

Artur disse...

encarei esta imagem com a chamada "estalada de luva branca" - alguém que jogando com um eventual estatuto de marginal a que uma moral ou mesmo uma facção o submeteu ou pretende submeter, se insurge - criativamente - usando as regras do " opressor".

eu gosto deste tipo

seja lá quem pintou isto - falou e disse, pôs o chapéu e foi-se!!

catizzz disse...

Percebo o que o Ricardo diz em relação aos "colectivos" mas o facto é que vivemos organizados em sociedade. Ninguém é excluído, ninguém é inocente. Na linguagem social é comum falarmos de grupos excluídos. Só o entendo como grupos fragilizados, a quem são negados determinados direitos e deveres. Porque mesmo esses grupos integram a sociedade, são seu reflexo e consequência.

Ricardo Castro disse...

É verdade que estamos todos incluidos nela, mas também é por isso que este conceito é muito pobre. Serve a nossa acção política, não serve a análise.

Eu também uso estas expressões muitas vezes. Nomeadamente quando estou irritado.

Mas repito: são a manifestação de um estado de espírito. Servem para encontrar solidariedade com os nossos estados de espírito. E alguma consequência que possa advir deste tipo de linguagem é mais irritação e poder destrutivo.

Sei que qualquer mudança é violenta e passa por uma fase destrutiva. E que a nossa "sociedade" tem de passar por isso.

Mas eu agora não estou a passar uma fase de irritação com Portugal. Tenho profuda consciência que há muita coisa errada neste país. E no mundo em geral...

Só acho que temos de ser mais selectivos na nossa acção. Não está tudo mal.

catizzz disse...

Cada coisa no seu lugar. A mensagem aqui colada pelo Artur serve os seus propósitos. Dá que pensar a quem passa, e está bem construída.
É bom saber que ainda existem pessoas que não estão irritadas com Portugal ou mesmo com o resto do mundo. Não partilho da mesma tranquilidade e optimismo. Pelo menos não hoje!

catizzz disse...

E uma vez que terminei o comentário anterior com uma frase que ilustra o meu estado de espírito, ainda me apetece dizer que talvez o mundo funcione motivado mais por estados de espírito do que por análises...