Portugal, como tenho dito e repetido, é ainda uma sociedade essencialista. Em transição, é certo. Mas a sua expressão dominante ainda é a de uma cultura essencialista.
Uma dessas características é a incapacidade de conviver com a ambiguidade. Isso significa que estamos dentro de um padrão cultural que necessita rapidamente de gerar sentido quando algo de ambíguo surge no nosso quotidiano. Seja essa ambiguidade criada por um objecto, situação, pensamento ou comportamento.
Tudo tem de ser imediatamente classificado e valorizado na categoria de essencial ou acessório. Elementos aos quais, por inerência desse processo, são atribuidos os rótulos de bom/mau ou indiferente.
Felizmente, a fase de transição já permite alguns encontros, cada vez mais frequentes, com gente que sabe "temperar" a sua relação com as coisas. ("coisas" em oposição aos objectos com significado) Individuos que sabem esperar. E sabem tirar o melhor que há nos outros.
Mas ainda existe um reduto na sociedade onde a tradição essencialista se faz sentir com toda a sua força - nas lideranças institucionais. Este é um paradigma que se sustenta na divisão entre lugares essenciais e lugares acessórios. O mesmo será dizer que se vê acontecer com muita frequência um lugar fazer muito por uma pessoa. São os lugares que os tornam - a essa gente! - essenciais. Pelo menos é assim que vêem o mundo! E a si próprios.
Qualquer sociedade efectivamente plural rejeitará essa visão. Para lá caminhamos. Lá chegaremos.
Finalmente é Sexta-feira
Há 14 anos
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