Tenho falado de confiança. De alguma forma aquilo que tenho dito pode parecer ziguezaguiante, por um lado contesto a cultura essencialista porque assenta em crenças fundamentalistas, por outro, considero a ausência de confiança entre pares como uma causa directa de bloqueio social.
Portanto, o que é que defendo? Confiança, sim ou não? Bom ou mau?
Comecei a responder a estas questões quando defendi, num post anterior, que a confiança é simplesmente necessária. Não é boa nem má, não é uma escolha. Faz parte do funcionamento dos processos mentais. É um dos eixos do conhecimento.
A confiança é um factor que pode ser gerido. Tal como qualquer outra forma de conhecimento, como a informação. A melhor forma de a usar, para lidar com uma sociedade complexa - instável, evolutiva, diversa -, é o bom senso.
Defendo uma abordagem dinâmica que presume não cair em niilismos onde tudo vale e nada interessa, nem cair em fundamentalismos onde só uma coisa interessa e tudo o resto é irrelevante ou ameaçador. Bom senso, neste contexto, significa somente uma alteração de estado mental - significa ganhar consciência de que se vive dentro de uma faixa onde se confia o suficiente para permitir manter a operacionalidade intelectual e nunca demais, para não cair em padrões inerciais, estagnantes.
Esta é uma posição ética de abertura permanente aos outros e à natureza. É uma vivência baseada na aprendizagem.
Finalmente é Sexta-feira
Há 14 anos
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