Vou-me deter na questão da ambiguidade e da sua relação com o futuro. Como disse o Artur: "Conceber o mundo como um espaço de dever ou espaço de devir, pode oferecer a cada um de nós horizontes ilimitados de criação e do pensamento."
Mas essa concepção só faz verdadeiro sentido quando assimilamos - integralmente - a função da ambiguidade. O futuro, aquele que vai acontecer de facto, é incerto. Ninguém tem capacidade de prever o que acontecerá de facto. Mas é possível gerir o desenrolar dos acontecimento se formos capazes de aceitar muita ambiguidade - o que quererá dizer neste contexto: aceitar e produzir muita quantidade de abstracção. (talvez aqui se encaixe a questão das consequências da hiperfuncionalidade nas funções do pensamento, será?...)
O concreto é o que acontece, o abstracto são os pensamentos simplistas que produzimos para lidar com o incerto. As trajectórias e os cenários possíveis são inúmeros, uns mais próximos do nosso quotidiano, outros completamente excêntricas a ele. É para esse universo que a abstracção é a única ferramenta útil. sustentado numa crença suficiente.
E no nosso mundo - altamente complexo - surgem com maior probabilidade e com maior frequência acontecimentos excêntricos à nossa vida quotidiana.
Eles surgem porque a sociedade complexa coloca-nos lado a lado com certos "...nichos cada vez mais vastos,..." que "...promovem e incentivam uma standartização e homogeneização de dimensões não relacionáveis e mesmo incompatíveis". É essa convivência com espaços discontínuos aos nossos que criam, permanentemente, pressões e condições para rupturas drásticas.
A sobre vivência com esse aspecto da vida quotidiana "exige" uma nova estrutura de valores, mais adequados à gestão da mudança, do imprevisível. Da relação com o AMBÍGUO.
O que é hoje ambíguo pode ser um senhor habitante no nosso futuro, com o seu lugar essencial, necessário, determinante.
Finalmente é Sexta-feira
Há 14 anos
2 comentários:
apenas diria que os pensamentos por mais simplistas são úteis e também concretos. ambiguidade é uma qualidade desse real - ou uma perspectiva, um ponto de escolha do observador
Eu acrescentaria que os mais simples são mesmo os mais concretos.
Por exemplo, os nosso valores reúnem essas duas qualidades. O seu sentido é praticamente intuitivo, e, portanto, muito concreto e para ser compreendido não necessita de definições nem explicações adicionais. ~
Uma questão? A ambiguidade é um ponto de escolha do observador ou pode surgir como o efeito dessa escolha? Quando procuramos imaginativamente abordar de outra forma uma questão, um objecto, uma situação, anteriormente conhecida?
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