quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Duas caras

Homem novo que vens, olha a beleza!
Olha a graça que o teu instinto pede.
Tira da natureza
O luxo eterno que ela te concede.

Miguel Torga em "Libertação"

Aqueles que "Continuam aqui roendo as unhas!" a ver a vida como se fosse um filme não têm uma cara só. Hoje, são mais os que vivem uma vida pública, entediante, apanhnados pelas palavras de Egito Gonçalves, em simultâneo como uma outra, privada, excitante, como nos sugere Miguel Torga.

O que se vê no espaço público é a rotina. O enfadonho. Mas, com atenção, podemos descobrir nos outros todo uma intensidade, uma vida cheia de vidas por cumprir.

A fonte dessa intensidade é o resultado de um processo de diferenciação individual, da criação de uma identidade excêntrica, mas ainda presa numa cultura de "paz pública".

É uma identidade que está para emergir...

Depois de muitos anos sombrios, ditatoriais, este conflito surge como a antecâmara da individualização no espaço público. É isso que acredito.

Foi por isso que Miguel Torga nos falou.

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