Hoje aconteceu na minha casa o que tem acontecido em tantas outras: o Estado errou e exige que a correcção do erro seja feita pelo cidadão.
O enredo é já um clássico. Uma repartição da segurança social envia uma carta em 2007 com uma certa informação, a outra repartição nessa altura confirmou oralmente a veracidade das informações. No dia 2 de Abril de 2009 a repartição que confirmou oralmente retira o que disse e diz que o documento enviado em 2007 é ilegal. O documento enviado pela mesma entidade, a Segurança Social, mas por repartições diferentes. Na informação de 2009 contradiz-se a informação de 2007 e aparece uma conta astronómica com dez dias de prazo de pagamento. Quem paga o erro? O cidadão. Quem assume os juros de mora de uma dívida que até então não existia? O cidadão. É assim que são postas as coisas.
Infelizmente são estes e outros acontecimentos que me impedem de considerar o Estado como uma entidade que só quer o bem do cidadão. E é por isso que não consigo acreditar na exclusividade das políticas mais estatizantes. Por outro lado, sei que uma sociedade governada apenas pelo interesse particular é uma sociedade que se despedaça, que cria assimetrias intoleráveis, e que abandona uma parte dos seus concidadãos em nome da produtividade, da moral e/ou do bom gosto. Por tal não me revejo nas denominadas políticas neo-liberais, nem nos movimentos sociais, moralistas, tanto em voga (higiénicos, estéticos, tecnofílicos, vegetarianistas, dos direitos adquiridos, etc...), nem sequer em qualquer ideia religiosa ou análogos.
Acredito na conversação e na escolha, na conversação e na escolha, na conversação e na escolha. Na mistura e na arrumação. E assim repetidamente em nome da coesão, da liberdade, da aprendizagem e desenvolvimento.
Há já algum tempo que estas duas ideias estão presentes no meu pensamento. Já há muito que deixei de dividir o mundo entre esquerda e direita. Quanto a mim são divisões empobrecedoras e desadequadas aos desafios que se avizinham. O indivíduo pode ser egoísta e desligar-se do colectivo, o colectivo pode ser opressivo e esmagar a liberdade e criatividade individual.
Qual é a filosofia política que permite potenciar a bondade e reduzir os malefícios de ambas as posições? Eis a minha questão...a minha utopia...
Finalmente é Sexta-feira
Há 14 anos
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