sexta-feira, 24 de abril de 2009

As boas intenções e o seu efeito pernicioso

No debate público português é manifestamente difícil dizer bem. Seja um qualquer elogio dirigido ao que for. É recorrente ser censurado quando se opta por apresentar o lado positivo das coisas. Entenda-se esta censura como um pequeno gesto: um breve comentário, um som de insatisfação, uma cara de indiferença, um esgar de desconforto, etc. Por vezes também surge um argumento mais elaborado.

Mas é importante dizer que na grande maioria das vezes essa atitude, parece-me, é suportada em boas intenções. Aqueles que reagem à expressão pública que pretende enaltecer aspectos positivos da nossa sociedade não o fazem por não gostarem de coisas boas. Estão sem dúvida imbuidos de um espírito de missão e bondade. Os seus argumentos são no sentido de alertar para os perigos da visão positiva: do perigo de criar insensibilidade à pobreza, às injustiças, a existência de racismo, ao mau funcionamento das entidades públicas e privadas, à crise, etc. E dizem-no porque implícita ou explicitamente sentem que são questões demasiado óbvias, graves e que exigem uma militância sistemática.

Mas também poderemos encarar esta situação de outra forma: uma visão negativa pode criar insensibilidade às coisas boas que nos rodeiam. O discurso do declínio é manifestamente desencorajador para quem trabalhou afincadamente e sente que conseguiu atingir qualquer coisa. Mais: o discurso negativo é muito socializante no nosso meio, faz um estar social muito mais fluído. Encerrando-nos nessa mesma postura crítica, porque é fácil ser correspondido positivamente quando se diz mal, seja no café, na pausa do trabalho, na paragem do autocarro, no nosso blog, etc. E isso faz-nos sentir acompanhados, ouvidos. Exactamente o que não é possível quando se tem uma postura positiva - esse discurso é quase sempre interrompido.

Se é verdade que essa postura negativa tem o mérito de nos fazer sentir acompanhados (não é bem verdade, mas...), também é notório que retira ímpeto aos indivíduos, reduz capacidade para transformar o que está mal. Viver sobre o espectro absoluto da negatividade pode parecer mais piedoso, mais bondoso, mais sensível aos outros, mas quando é demais retira força, reduz a vontade, individual e colectiva. E isso torna-se pernicioso: porque ao retirar capacidade para mudar o que está mal perpetuamos exactamente os problemas que desejamos que não existam, e porque se tornam tão óbvios ficamos todos incrédulos acerca das razãos pelas quais eles ainda persistem.

Em conclusão: perdemos crença na nossa capacidade e adquirimos uma grande crença sobre as nossas incapacidades. E assim nasce uma religião - a crença no declínio. Nós vivemos dominados por essa visão, tal como se fosse a nossa religião. E como no seio de qualquer religião tornou-se inaceitável assumir uma atitude crítica ou distinta dos princípios que a governam, princípios que também orientam a sociabilização.

É evidente que existem, sempre existirão imperfeições nas sociedades, a realidade tem sempre um lado sujo que não pode ser descurado, mas, por outro lado, temos de ter capacidade para assumir todos esses combates, seja no terreno ou no campo das mentalidades. E essas são batalhas que demoram..., para tal é necessário gente motivada, que acredita na fecundidade das pequenas mudanças, que compreende tudo isto e está disposto a lutar e esperar ao mesmo tempo.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Mais sobre os actores sociais: "A Constitution for Social Care"

Este é um link para um documento que propôe uma Constituição para os cuidados sociais.

http://www.demos.co.uk/publications/socialcareconstitution

Esta é uma forma muito interessante de fazer política, partindo da conversação social e só depois é trabalhado pelo poder legislativo do estado.

Assim sim.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Reprodução Humana Assexuada: quando o corpo imaginado é melhor que o desenvolvido naturalmente

Não sei se estou fascinado com as possibilidades ou assustado com aquilo que pode acontecer. O que vai ser da espécie humana no futuro?

Já somos capazes de transformar o corpo e desejamos mais...

Video 1


Video 2
http://content.digitalwell.washington.edu/msr/external_release_talks_12_05_2005/13543/lecture.htm

Video 3


Video 4


...podemos imaginar mundos...saindo do mundo!...

Video 5
http://www.ted.com/talks/view/id/410

...conseguimos ir mais além: mais bonitos, mais altos, mais rápidos, mais...

Video 6


...tudo pelas melhores razões.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Os Navegadores

Vivemos num país que muito enaltece os seus navegadores. Não sou diferente dos demais. Faço-o de tal forma que se tornou parte constituinte da minha personalidade – gosto de navegar e escolho os amigos pela sua capacidade de navegação.

As características humanas que impulsionaram os nossos nesse período da história de Portugal, são tão válidas hoje como foram nessa época. Num mundo tão vasto e dinâmico como o de agora o território humano por explorar é enorme, cada vez maior e mais fascinante, tal como os mares o eram nesse período.

O outro é fonte de novidade e o futuro está nas suas profundezas, em lugares de navegação tempestuosa. São essas idas e as recombinações permanentes que delas emergem que me fazem navegar rumo ao futuro.

Procuro incessantemente envolver-me de “Novos Navegadores” – todos aqueles que vêm no outro um espaço de descoberta, imenso, pleno de vidas, histórias e culturas. Escolhi explorar personalidades, como um dia se exploraram mares. E faço-o porque preciso delas, para me mover, para me deslocar daqui para além.

Navego à vista, porque o rumo não está em mim.

sábado, 4 de abril de 2009

Pensamento nº 5 - Egoísmo versus totalitarismo

"Mas também sei que não precisamos de escolher entre um capitalismo caótico e implacável e uma economia dirigida pelo Estado.
Essa é uma falsa alternativa que não servirá o nosso país nem qualquer outro país."

Barack Obama in Expresso 4 de Abril de 2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

egoísmo versus totalitarismo

Hoje aconteceu na minha casa o que tem acontecido em tantas outras: o Estado errou e exige que a correcção do erro seja feita pelo cidadão.

O enredo é já um clássico. Uma repartição da segurança social envia uma carta em 2007 com uma certa informação, a outra repartição nessa altura confirmou oralmente a veracidade das informações. No dia 2 de Abril de 2009 a repartição que confirmou oralmente retira o que disse e diz que o documento enviado em 2007 é ilegal. O documento enviado pela mesma entidade, a Segurança Social, mas por repartições diferentes. Na informação de 2009 contradiz-se a informação de 2007 e aparece uma conta astronómica com dez dias de prazo de pagamento. Quem paga o erro? O cidadão. Quem assume os juros de mora de uma dívida que até então não existia? O cidadão. É assim que são postas as coisas.

Infelizmente são estes e outros acontecimentos que me impedem de considerar o Estado como uma entidade que só quer o bem do cidadão. E é por isso que não consigo acreditar na exclusividade das políticas mais estatizantes. Por outro lado, sei que uma sociedade governada apenas pelo interesse particular é uma sociedade que se despedaça, que cria assimetrias intoleráveis, e que abandona uma parte dos seus concidadãos em nome da produtividade, da moral e/ou do bom gosto. Por tal não me revejo nas denominadas políticas neo-liberais, nem nos movimentos sociais, moralistas, tanto em voga (higiénicos, estéticos, tecnofílicos, vegetarianistas, dos direitos adquiridos, etc...), nem sequer em qualquer ideia religiosa ou análogos.

Acredito na conversação e na escolha, na conversação e na escolha, na conversação e na escolha. Na mistura e na arrumação. E assim repetidamente em nome da coesão, da liberdade, da aprendizagem e desenvolvimento.

Há já algum tempo que estas duas ideias estão presentes no meu pensamento. Já há muito que deixei de dividir o mundo entre esquerda e direita. Quanto a mim são divisões empobrecedoras e desadequadas aos desafios que se avizinham. O indivíduo pode ser egoísta e desligar-se do colectivo, o colectivo pode ser opressivo e esmagar a liberdade e criatividade individual.

Qual é a filosofia política que permite potenciar a bondade e reduzir os malefícios de ambas as posições? Eis a minha questão...a minha utopia...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

YouTube EDU

O Youtube lançou um novo projecto denominado por YouTube EDU,

http://www.youtube.com/edu

Mais um projecto de acesso a conteúdos que reforça a importância do investimento pessoal na aquisição de competências. E é também mais um desafio para as universidades de todo o mundo.